Deserto

Aconteceu de novo. Sinto que, repentinamente, eu perdi o controle. Parece-me que as rédeas do cavalo que eu conduzia me morderam os pulsos e eu caí. Agora ele relincha e se empina sobre mim. Suas patas estão prestes a cair sobre o meu rosto.

Tudo que mais queria era um Merlin para me aconselhar. Mas Merlin nenhum é capaz de cosolar. Na verdade, ninguém é sábio o suficiente para dizer “vai ficar tudo bem”. A frase por si só parece carregar culpa.

Mas é assim com todos nós.

Cada um representa um grão de areia no deserto da vida.

Um deserto.

Somos todos grãos de areia em um lugar onde não há mais nada.

A não ser o vento, que leva embora pessoas, grãos, tudo. Ponderando, evidencio que isto não é nada além de uma tempestade.

A não ser o calor, que martiriza nossa história e subsequentemente nos torna irritadiços.

Um deserto.

Um deserto cheio de gente, onde não há ninguém.

Um deserto onde as tempestades de areia destroçam a serenidade da nossa quietude passiva.

E aqui, no emaranhado de grãos de areia, imaginamos…

…qual será a cor do céu que vai aparecer quando a tempestade se for?

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4 comentários sobre “Deserto

  1. Acho incrivel, o reconhecer que nao passamos de uma poeirinha cosmica no universo. Sua abordagem sobre nossa pequenes e interessante. Otimo texto! ;D

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