18

Sinto-me velho. Velho, sem um fio branco sequer. É a primeira vez na minha vida que penso a longo prazo. É a primeira vez em que pensar num futuro próximo parece possível e plausível.

Sinto-me cansado. Ponderando a respeito, assemelho-me a uma criança que dá os seus primeiros passos, se cansa e cai. Respira fundo, se levanta a anda novamente.

Então estou velho, ou a antítese?

Estou senil, ou o contrário?

Sou um bebê pensando como um idoso. Tão determinado que acabo sendo ranzinza.

É como se, de súbito, eu acordasse e fosse adulto. Parece que meu caminho é claro e que o momento é agora. Eu confio em mim.

Mesmo assim, parece que uma criança dentro de mim grita algo que não consigo distinguir. Mas grita com intensidade, a plenos pulmões.

A criança que eu jamais devo esquecer.

Tenho pesadelos. Acordo suado de insegurança, mas não me desvio do meu objetivo.

Reorganizo minha vida e me preparo para a batalha de cada dia.

E a guerra que eu travo tem meu nome.

Em meio aos meus compromissos me perco. Na estagnação, me recosto. Mesmo assim, continuo a ponderar o que terá gritado o meu “eu” pueril.  Tento distinguir o que aqueles sons e berros eram.

Percebo, então, que não importa.

Percebo que a criança sou eu.

E que o meu papel nunca foi ouvir, mas gritar.

Vejo a mim mesmo. Velho, imponente.

Encho meu peito e grito.

“Seja feliz”.

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7 comentários sobre “18

  1. Ah, parabéns meu amigo, espero que aos seus 81 anos esteja escrevendo seus textos ainda! Felicidades!

  2. (A velhice é como uma maldição. É a mudança física do nosso corpo que quase sempre desagrada à todos. Nem sempre pelo fato de ficarmos mais “feios” exteriormente, mas simples pelo fato de que estaremos próximos da morte. Eu não acho que seja tão ruim. Afinal, seria uma burrice desejar morrer jovem, não?)
    O fato das pessoas acharem que quando chegam à vida adulta – os tão desejados 18 anos – serão agora capazes de seguirem sozinhos e responsáveis pela própria vida é ainda mais idiotice que a morte juvenil. Somos todos crianças, se formos pensar bem. A maturidade é um conceito inexistente, pelo menos no que diz respeito à minha opinião. – Enquanto em alguns casos podemos demonstrar a experiência de um idoso de setenta anos, em outras choramos feito bebês que acabaram de sair do colo da mão, ou esperneamos como aquela criança que teve seu brinquedo retirado -.
    Ao contrario do último que li, você conseguiu captar uma certa essência nesse que de muito me agradou, e fico feliz em dizer que adorei.

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