Nascituro

Dias em que não se pode vencer. Em que tudo falha ao redor da mente. Dias extenuantes. Dias de esforço ignorado. De, evidentemente, tristeza.

Pressão nas têmporas, nó na garganta. Uma profunda dor que talvez doa mais que uma ferida física.

Desejo pela redenção do sono presente, assim como anseio por dias melhores. Mas o que é a felicidade, além da antítese da melancolia?

Por que falta o lirismo ao poeta?

Nuances que nos escapam por pouco. Faíscas do ígneo pensamento da determinação. Sorrisos liquefeitos. Estagnação pura e simples.

Passo então a conceber pensamentos sobre o nascimento e – obviamente – sobre a morte. Os dois opostos que atraem-se e repulsam-se. Um dá sentido ao outro.

Talvez seja o que eu precise: nascer de novo. Me reinventar. Ser. Esquecer o detalhe da estagnação – permiti-lo o luxo da morte – e renascer.

Voar como uma fênix. Majestosamente carregando seu ninho por sobre os altos céus.

Este não pode ser um manifesto de desistência. Não, de maneira nenhuma.

A protelação me vexa, a procrastinação me dói a alma. A minha introversão não me permite o agrado da improdutividade.

Eu não morri, mas preciso renascer.

Este é o meu atestado de nascituro.

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6 comentários sobre “Nascituro

  1. Incrível. Incrível é a forma como você consegue ser verdadeiro, carregar seu texto de sentimento, e ainda assim ser plenamente sofisticado na arte sutil das palavras. É muito difícil se destacar nesse mar da intranquilidade que é a internet. Mas poucas coisas são tão boas quanto este blog, no que ele se propõe. Siga em frente, lutando por ele. Ele é seu atestado de re-nascituro.

  2. Primeiramente, me desculpe por ficar tanto tempo sem ler e comentar seus textos, mas cá estou.
    “Dias em que não se pode vencer. Em que tudo falha ao redor da mente. Dias extenuantes. Dias de esforço ignorado. De, evidentemente, tristeza.”
    De certa forma, todos os dias são assim. Algumas pessoas olham-nos com bons olhos, e outras nem tentam, preferem apenas existir.
    Como diz Dr House: A Felicidade é chata. A busca para a felicidade é uma perda de tempo e, quando ela acaba e estamos satisfeitos, o que mais de novo acontecerá? Tédio. Tédio. Puro tédio.
    Sem morte não haveria vida. Não teríamos o que comer, haveria uma super-população, seríamos devorados por dinossauros(?), etc…. E sem vida não haveria morte, oras. É um ciclo que tem de existir, sem começo nem fim.
    Apesar de não achar que fora o seu melhor texto, com certeza é um excelente. =D

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