Do que passa

Tempo. O tempo é um cavaleiro, correndo sempre adiante, poderoso, austero. É o cravar das patas do seu cavalo sobre a terra, e o seu estridente relinchar. Esvoaçando seu pelo e crista, o vento é o tempo que corre.

Tempo que corre. Tempo que para.

Que ri. Que chora.

Tempo que não passa.

Que pensamos ter copiosamente, mas em verdade, não existe. Horas, dias e anos não são estáticos. Segundos são variáveis.  A única certeza é o tique-taque do mundo transformando sua superfície, momento após momento.

Somos passageiros no eterno teatro da mutação.

Vítimas do esplendor da vida.

Espectadores do milagre da transformação.

O tempo voa, mas voa baixo.

Baixo o bastante para sentirmos sua passagem, vezes, por mais sutil que soe, anestesiados por ele próprio.

Há tempo para tudo, mas o tempo é uma idéia, uma ilusão.

Há tempos e tempos.

No fim, o tempo é um amor.

Suave, terno, avassalador e revolucionário.

Com o poder de nos transformar, sem jamais se deixar transformar.

O tempo, assim como um amor, é uma idéia.

O tempo, assim como um amor, passa.

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4 comentários sobre “Do que passa

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