Pesadelo

Quando segurei pela primeira vez a caneta cuja tinta preencheria estas páginas, sabia no que resultaria. Tinha consciência de que muito raramente estaria feliz em escrever sobre o que sinto. Sabia que seria uma válvula de escape, um alívio. Havia a certeza de encontrar nas palavras o colo que mulher nenhuma teria. Um seio que me acalentaria quando nenhum outro poderia fazê-lo. Trocaria o choro do meu coração pelo choro das páginas.

Pois bem. Não raro ouço dizer que a manhã depois da noite mais negra é sempre mais clara. Esta é uma manhã pálida. O céu está tão cinza quanto meu olhar. Abaixo dele, há vales lapidados pela falta de sono, construídos à partir do suor dos pesadelos.

Pesadelos são sombras que tomam conta quando a luz dos nossos olhos é apagada. Se sonhos são a luz, pesadelos são o vácuo. A ausência de qualquer existência.

O vazio.

Vazio era como me sentia, e como me sinto. Nenhuma vontade de sorrir ou chorar, apenas a escuridão.

Acordando, perplexo, com os olhos e mãos trêmulas, via as horrendas sombras se formarem à partir da cálida luz da lua que entrava pelas frestas da janela.

Um fio prateado de esperança. Um filete alvo de desespero.

E o tempo se arrasta como a marcha de uma cavalaria derrotada. Até que o dia pálido nasça pela miúda fresta.

O acordar de um pesadelo para outro.

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Um comentário sobre “Pesadelo

  1. “Dias ruins e tempestades sempre acontecem, mas lembre-se que a grandeza de algo se revela na capacidade dela resistir a essas turbulências!”

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